O OUTRO LADO -Belo Monte e o Lider indigena Megaron Txukarramãe

Carta manifesto do cacique Megaron Txukarramãe contra a construção da

Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

 

Comunicado

 

Nós lideranças e guerreiros estamos aqui em nosso movimento e vamos continuar com a paralisação da balsa pela travessia do rio Xingu.

Enquanto Luiz Inacio Lula da Silva insistir de construir a barragem de Belo Monte nós vamos continuar aqui.

Nós ficamos com raiva de ouvir Lula falar que vai construir Belo Monte de qualquer jeito, nem que seja pela força!!!

Agora Nos índios e o povo que votamos em Lula estamos sabendo quem essa pessoa.

Nós não somos bandidos, nós não somos traficantes para sermos tratados assim, o que nós queremos é a não construção da barragem de Belo Monte.

Aqui nós não temos armas para enfrentar a força, se Lula fizer isso ele quer acabar com nós como vem demonstrando, mas o mundo inteiro vai poder saber que nós podemos morrer, mais lutando pelo nosso direito. Estamos diante de um Governo que cada dia que passa se demonstram contra nós índios.

Lula tem demonstrado ser inimigo número um dos índios e Marcio Meira o atual Presidente da Funai tem demostrado a ser segunda pessoa no Brasil contra os índios, pois, a Funai não tem tratado mais assuntos indígenas, não demarcação de terra indígena mais, não tem fiscalização de terra indígena mais, não tem aviventação em terra indígena.

Os nossos líderes indígenas são impedido de entrarem dentro do prédio da funai em Brasília pela força nacional.

O que esta acontecendo com nós índios é um fato de grande abandono, pois, nós índios que somos os primeiros habitantes deste pais estamos sendo esquecidos pelo Governo de Lula que quer a nossa destruição, é esta a conclusão que chegamos.

 

Lider indigena Megaron Txukarramãe

 

Aldeia Piaraçu, 26 de abril de 2010

 

Carta para imprensa

A flor de Maracujá – Rolando Boldrin

Uma dica de um dos camaradas dos Evangélicos pela Justiça – EPJ.

A FLOR DO MARACUJÁ

Catulo da Paixão Cearense
 
Ah, pois então eu lhi conto 
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa 
A flor do maracujá

Maracujá já foi branco 
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi 
Mais brando do que o luá

Quando a flor brotava nele 
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia 
Um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo 
Num meis que inté num mi alembro 
Si foi maio, si foi junho 
Si foi janero ou dezembro 

Nosso sinhô Jesus Cristo 
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado 
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo 
E ao vê tamanha crueza 
A natureza inteirinha 
Pois-se a chorá di tristeza 

Chorava us campu 
As foia, as ribera 
Sabiá também chorava 
Nos gaio a laranjera 

E havia junto da cruis 
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô

I o sangue de Jesus Cristo 
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá 
Tingia todas as flor

Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa 
A flor do maracujá.

O meu coração

Por Levi Araújo (madrugada de 5/3)

 

 

 

Teu doer e latejar

me traz ao peito frágil

a angustia de ser

 

Todas as lembranças a guardar

dos seios acolhidos

em tempos de aprender

 

Tua frieza e silencio

me prende ao questionar

deste triste viver as razões

 

Tuas dolorosas batidas

das doces memórias idas

dão ritmo ao esquecer

 

Teu seguir solitário,

teus sentimentos de nada.

Tuas lágrimas contidas,

teu esmolar na estrada

 

Teu aperto sentido

um desejar sufocado.

Teu abismo de desejos

de querer ser amado.

 

És o meu coração

Único, frágil e cansado.  

Dar-te-ei em oração

Ao meu Pai devotado.

Oração também é grito

 

 

Você já ouviu aquelas gozações contra as pessoas que gritam em suas orações?

– Não precisa gritar….Deus não é surdo.

Pois é…….

O Salmo 107 é um hino/oração de gritos e ações de graças coletivos.

Há duplos refrões que se alternam durante todo o salmo:

E gritaram a Iahweh na sua aflição; ele os tirou de suas angustias

e

Celebrem Iahweh por seu amor, por suas maravilhas pelos filhos de Adão.”

Esse salmo revela que na Jornada da Vida não faltam motivos para gritar e agradecer.

Quero me ater ao grito por enquanto. 

Na remota mitologia dos cananeus o mar e o deserto recebiam o status de divindades cruelmente imprevisíveis e indomáveis.

Para aqueles remotos povos animistas o mar e o deserto eram deuses terríveis prontos para infernizar ou acabar com as vidas de todo aquele que se atrevesse navegar ou trilhar por seus domínios.

Lendo esse texto eu aprendo que nos desertos da vida nós perambulamos perdidos e sem rumo, castigados pela aridez severa em busca ansiosa por uma cidade habitada.

Mas é nesse deserto que Deus nos oferece direção e alimento.

É no deserto que Deus nos sacia a sede e satisfaz a fome.

É no deserto que ele nos ensina a usar o seu infalível GPS.

Mas o efeito nefasto do deserto nos seres humanos termina transformando peregrino em prisioneiro.

E sob a “não vida” do deserto, as nossas algemas, correntes e prisões com as suas portas e trancas se tornam desesperadamente reais.

O deserto faz aflorar a nossa rebelião essencial e o nosso desprezo pelos desígnios divinos.

No fundo nós não gostamos de sermos guiados por Deus, nós temos as nossas próprias rotas e itinerários.

Nós não conseguimos esconder a ditadura dos nossos apetites. Somos reféns da vontade visceral por todos os sabores possíveis e impossíveis.

E é lá nesse deserto desnudador que a nossa tolice existencial e a nossa repugnância ofensiva terminam vindo à tona enquanto as inevitáveis conseqüências de nosso viver egoísta nos sufocam e afogam.

Por isso nos assentamos acorrentados em trevas e sombras mortais e a vida se transforma em trabalho forçado e pesado, restando-nos apenas tropeçar e tropeçar sem que ninguém nos ajude.

No versículo 23, o salmista muda de ambiente, e do deserto nós somos lançados ao mar.

Há uma denuncia velada de que a opção pelo mar tem a ver com um perigoso “esse negócio só me diz respeito”.

A rebelião e abandono da grande bússola de desertos e mares me fazem lembrar os planejamentos e projetos denunciados por São Tiago:

Ouçam agora, vocês que dizem: ‘ Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro’. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. ´”.

Assim parece que no Salmo os navegantes deslumbrados e independentes levantam âncoras e velas.

Mas o mar é como a vida e tem também os seus caprichos.

Quem perambulava sequioso agora cambaleio bêbado diante dos perigosos altos e baixos do mar caótico.

Dominados por um independente “navegar é preciso”, muitas vezes nos lançamos ao mar prescindindo da companhia do único que faz o seu caminho em tormentas pavorosas.

Diante da dominação do mar revolto nós perdemos a coragem e o equilíbrio e encaramos o fato de que as nossas habilidades são inúteis e improdutivas diante das tempestades da vida.

Nessa hora não tem pra ninguém! Não tem valentão, não tem camarada centrado e as nossas grandes habilidades são debochadas às gargalhadas pelas tragédias da vida.

O salmista revela que os que voltaram do cativeiro tiveram essas duras experiências com o deserto árido e sem vida e com o mar caótico sepultador de vidas.

Ele afirma que eles gritaram!

Seja lá qual for a forma, todo ser grita diante do desespero e aflição.

Quando eu leio isso eu entendo que não devemos nos fazer de rogados e que devemos gritar sem medo de ser ridículo ou parecer louco.  

Orar também é gritar.

As nossas aflições e angustias terminam definindo o grito de cada um.

Grite para – e nunca com – Deus, não tem nada a ver com tentar ganhar de Deus no grito.

Falo da verdadeira terapia do grito, eis aqui o mais catárquico dos gritos.

Em oração e súplica apresente o seu grito a Deus.

Lance o seu grito sobre Deus.

Segundo o salmista, aqueles camaradas gritaram e ficaram livres de suas angustias.

Eu não sei você, mas eu grito, às vezes em silencio, mas que eu grito eu grito.

DISQUE 100 – Campanha Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolecentes – CARNAVAL 2010

Só o que agrega valor – Missão Pequeninos da Nigéria.

Camaradas,

 

Segue um convite ao serviço amoroso dos camaradas do Caminho.

Eu quero uma Fé Simples

Tenho uma amiga que sempre me encaminha músicas lindas.

Entre tantas inspiradas e emocionantes ela me encaminhou a I’m Amased interpretada pelo The Brooklyn Tabernacle Choir.

Ouvi e cantei enquanto confirmava a minha fé com lágrimas.

Sim meus amigos e amigas, eu desejo regar a minha fé simples com as minhas lágrimas.

Depois eu li novamente o texto do meu camarada Ariovaldo Ramos e chorei diante daquele desabafo que também é meu.

Vocês sabem o que acho?

Penso que a nossa fé está ficando fria e feia.

A razão?

Nós estamos enojados com alguns líderes e igrejas emergentes que estão transformando a fé em Jesus e o discipulado num produto qualquer.

E por não desejarmos ser identificados com eles, estamos abandonando convicções e práticas que não precisavam ser deixadas pra trás.

Insuportável, eis a palavra.

Como suportar esse jeito de ser cristão evangélico?

Um jeito alienante, manipulador e insano.

Um jeito que tem feito muito pior do que espoliar, infantilizar e emburrecer pessoas.

O que poderia ser pior que isso?

Penso que esses espertalhões da fé estão nos roubando o fervor, a emoção e a simplicidade que há em seguir e adorar a Jesus.

Sabe por que digo isso?

Porque noto que estamos arrumando um novo jeito de lançar fora o bebê com a água suja, a maioria de nós está generalizando demais e usando indiscriminadamente o expediente da vala comum.

Amigos, a merecida pancadaria que a instituição tem recebido está começando a machucar outro Corpo e corpos.

Estou começando a me irritar com esses movimentos anti-igreja, anti-evangélico e anti-cristianismo.

Estou começando a me preocupar com as iluminadas elucubrações sobre a soberania de Deus, por exemplo.

Chateia-me muito ver que o espírito do Doutor Smith do seriado Perdidos no Espaço está possuindo alguns dos nossos camaradas preciosos e mais lúcidos da resistência.  

Para os novos Smith´s todos são robozinhos que não alcançam o grande saber e, portanto, não passam de pusilânimes paspalhos.

Por outro lado, com os racionalizadores da fé vêm surgindo uma nova patrulhinha ideológica que em nome dos feridos em nome de Deus estão começando a abrir novas feridas por aí.

Amigos, pelo amor de Deus!

Ouçamos a profecia de Nietzsche quando nos adverte que ao lutarmos contra o dragão devemos cuidar para não nos transformarmos em dragão.

Definitivamente eu quero outra coisa.

Eu quero uma fé simples e isso não tem nada a ver com fazer calar a voz profética. Muitos profetas terminam indo além da profecia.

E eu que sempre fui de pegar pesado…, sei lá, quero mais leveza para a minha vida.

Quero cantar Amazing Grace e me acabar de chorar quando afirmar que Ele amou um crápula como eu.

Quero cantar o hino da Harpa ou do Cantor Cristão, ou até os chamados corinhos que insistiam em repetições simples a verdade de que o sangue de Jesus me lavou, me lavou / o sangue de Jesus me lavou, me lavou / alegre cantarei, louvores ao meu Rei, ao meu Senhor Jesus que me salvou.

Quero orar o que eu desejar orar sem ter que explicar nada a ninguém.

Só não quero que a minha fé e amor esfriem.

Por isso eu oro: Senhor, eu quero uma fé simples.

Como diz Caio Fábio: Simples assim.