Minhas Mortes e Ressurreições

 

Semana santa, separada pra pensar

Na ante-sala de mortes sempre lembradas

Sexta santa, preparada para calar

Nas demoradas horas do agonizar

 

A teimosa ressurreição insiste em me devolver à vida

O Túmulo quer ficar sem mim.

Alguns vivos também, às vezes até eu.

Sou devolvido à morte pelos guardadores de sepulcros

Apequenados sepultadores caiados

Mas a ressurreição e seus filhos me querem fora, vivo e cantando.

Seguirei na Jornada dos Ressucitados

 

 

La Cigarra

Tantas vezes me mataram
Tantas vezes morri
Entretanto estou aqui
Ressuscitando
Graças dou à desgraça
E à mão com punhal
Porque me matou tão mal
E segui cantando

Cantando ao sol
Como a cigarra
Depois de um ano
Debaixo da terra
Igual sobrevivente
Que volta da guerra

Tantas vezes me apagaram
Tantas desapareci
A meu próprio enterro fui
Sozinho e chorando
Fiz um nó do lenço,
Mas esqueci depois
Que não era a única vez
E segui cantando

Cantando ao sol
Como a cigarra
Depois de um ano
Debaixo da terra
Igual sobrevivente
Que volta da guerra

Tantas vezes te mataram
Tantas ressuscitará
Quantas noites passará
Desesperando
E à hora do naufrágio
E à da escuridão
Alguém te resgatará
Para ir cantando

Cantando ao sol
Como a cigarra
Depois de um ano
Debaixo da terra
Igual sobrevivente
Que volta da guerra

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Uma resposta

  1. Valeu, continue vivo camarada

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