Disgrace e Desgraças.

 

 DISGRACE

A dor é dona da sabedoria e o saber amargo. Aqueles que mais sabem, mais profundamente sofrem com a verdade fatal.” Lord Byron

Domingo pela manhã eu acompanhei a mais uma reunião de decadências no espaço de uma igreja evangélica. Em uma assembléia tensa e triste eu pude acompanhar a exclusão de um pastor.

Como se chegou a isso?

Muita falta de informação, postergações desnecessárias, desgaste emocional e relacional, mas, sobretudo, muita falta de graça e misericórdia.

Em situações assim, “todos” têm razão, quando na verdade a razão falta a todos e os motivos sobram para qualquer razão.

Embora nunca tenha sido excluído ou excomungado literalmente eu sei muito bem o que é uma execração pública e já participei de muitas dessas inquisitórias reuniões “cristãs” para soluções de conflitos.

Ontem pela manhã eu me vi na pessoa de um advogado que conduziu a assembléia defendendo os seus clientes com todos os ardis, vi-me em jovens e adultos sedentos por uma verdade cruel que sempre serve bem aos interesses de quem se diz desinteressado de tudo em prol da proteção da Igreja e da disciplina bíblica do provável pecador, e tudo isso acontecendo em nome de Deus, é claro.

Após um tempo precioso com os meus amores, uma pausa necessária para a alma respirar, terminei o dia assistindo ao filme Disgrace dirigido pelo sul-africano Steve Jacobs que é uma adaptação do roteiro de Anna Maria Monticelli, da obra-prima homônima de seu conterrâneo, o Nobel de literatura J.M. Coetzee.

Trata-se da história de um professor de Inglês do Sul da África que perde tudo: sua reputação, o seu trabalho, sua paz de espírito, a sua boa aparência, seus sonhos de sucesso artístico e, finalmente, até mesmo a sua capacidade de proteger a sua amada filha.

O drama traz a história do professor universitário David Lurie (John Malkovich), que vê sua carreira desabar depois de um caso amoroso com uma aluna. Despedido, decide visitar a isolada fazenda de sua filha Lucy. Lá, distantes do resto do mundo, os dois são violentamente atacados por três jovens negros. Aos poucos, os dramas pessoais parecem conectados.

Diante da Comissão de Inquérito da Universidade, o professor Lurie declarou-se culpado por todas as acusações levantadas contra ele, em seguida, ele se isola sob um verdadeiro linchamento moral por parte de alguns dos seus alunos. No começo do filme nota-se claramente que ele está possuído pelo cinismo e o pessimismo do seu poeta preferido, Lord Byron.

No caso do linchamento do filme, o punido que cometeu o delito e confessou com certo cinismo e frieza, pouco se incomodou com as imprecações agressivas que recebeu. De fato, foi a vida como ela é que realmente terminou concedendo a ele uma radical revisão de crenças e convicções dando-lhe a oportunidade de um arrependimento verdadeiro, um reencontro com a filha e consigo mesmo.

Não se iluda, o filme é como a vida, imprevisível. 

E a cada dia eu me convenço mais de que linchamentos só servem como catarse vingativa dos ofendidos articulados e destemperados.

Disgrace começa com um diálogo entre David e uma garota de programa que diz: “Não há lugar seguro!” (…) Não há mais respeito!”.

Pura verdade em boca impura.

Adormeci misturando as cenas dos dramas da manhã e noite – e outras recorrentes -, da vida real e do excelente filme de Steve Jacobs.

Termino com mais uma de Byron: “Aqueles que se recusam a serem chamados à razão, são intolerantes; aqueles que não conseguem, são idiotas; e aqueles que não se atraem, são escravos“.

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4 Respostas

  1. Cara as vezes converso com a Rita sobre essas inquisitórias reuniões, que tbm participei desde a minha adolescencia. Vi igrejas sendo rachadas, amigos de infancia brigando, pessoas dando murro nos bancos para saber quem ficava com o equipamento de som, pastores sendo humilhados, líderes tendo delírios de poder. Hj com varios fios brancos em minha barba, fico pensando será que valeu a pena?

    Será que alguma dessas vezes foi aplicada a disciplina biblica.
    Não sou pai, mais sei que quando um pai disciplina um filho, ele sofre mais que o filho.

    Vejo hj as pessoas em busca de um vingador de suas frustrações, converso muito com meus sobrinhos que sofrem com problemas na familia, sempre vejo que eles estão em busca de vingança, alguem tem que pagar pelo que eles estão sofrendo.

    Veja o que aconteceu com a menina do vestido vermelho da uniban, aquilo foi sede de vingança de um serie de frustrações daqueles alunos.

    Ha tempos nem os santos tem ao certo a medida da maldade, e ha tempos são os jovens que adoecem, e ha tempos o encanto está ausente, e há ferrugem nos sorrisos e só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção….

    Abs

  2. Pois é meu camarada, amigo e irmão, mostrar a vida como ela é não faz parte da lição de casa.

    Analisar e “julgar” a exclusão de um pastor ou qualquer membro de uma sociedade é praticamente, voltar à Inquisição. E nos dias de hoje, século XXI!

    Passaram-se mais de 2000 anos e o povo de Deus ainda não aprendeu… lamentável.

    Também participei de reuniões discriminatórias e cheias de “poder” de algumas igrejas e ministérios, onde fui chamada de advogada de defesa, lembra? Parecia que ao falar dos ensinamentos cristãos, eu estava falando de algo inatingível ou verdadeiramente utópico. Sendo ainda, que o próprio Cristo viveu entre nós e provou ser possível viver debaixo da graça e vontade de Deus.

    Não espero nada do povo que se diz ser cristão.

    Afinal em mais de 2000 anos a única lição que nos foi pedida, ainda não foi compreendida:
    “Amai a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo.”

    Acredito que o povo que se entitula “Povo de Deus”, não necessitaria mais de leis, julgamentos ou governos, pois ao fazer cumprir e viver verdadeiramente o exercício entregue por Jesus, no mínimo tería-se respeito um pelo outro.

    É aquela história, o ser humano não é perfeito, tem vários defeitos, nasceu debaixo do pecado mas, CARAMBA! Será que não dá para aprender um pouco???

    Não consegue amar teu próximo, tudo bem, ao menos o respeite!

    Ouço a rádio Eldorado FM e, ontem fiquei muito chateada ao ouvir o debate que eles propuseram sobre ser contra ou a favor da Lei que penaliza a discriminação aos homossexuais. A vinheta era apresentada sempre da mesma maneira: Os evangélicos estão se mobilizando contra a lei – novamente: CARAMBA! É preciso fazer um gráfico para aprender?

    Afinal, se o julgar é de Deus e nossa parte é a mais fácil e gostosa, que é AMAR a teu próximo, por que esse “povo de Deus” insiste em querer fazer o trabalho do Homem lá de cima?

    Façamos a nossa tarefa apenas e, da melhor forma possível.

    Na verdade não deveria existir nenhuma lei que protegesse comunidades ou pessoas contra a discriminação, o AMOR e o RESPEITO deveriam ser algo natural.

    No caso dos homossexuais, Deus jamais pediu para amarmos o pecado, mas sim o pecador. Se ao seus olhos teu irmão peca, não é perseguindo-o, linchando ou repudiando que estará ajudando ou fazendo a vontade de Deus. É AMANDO.

    Acho que estamos passando da hora de aprender.

    Levi, parabéns pelo blog, continue na luta e, por favor, faça esse povo acordar.

    Abs.

  3. Pois é meu camarada, amigo e irmão, mostrar a vida como ela é não faz parte da lição de casa.

    Analisar e “julgar” a exclusão de um pastor ou qualquer membro de uma sociedade é praticamente voltar à Inquisição. E nos dias de hoje, século XXI!

    Passaram-se mais de 2000 anos e o povo de Deus ainda não aprendeu… lamentável.

    Também participei de reuniões discriminatórias e cheias de “poder” de algumas igrejas e ministérios, onde fui chamada de advogada de defesa, lembra? Parecia que ao falar dos ensinamentos cristãos, eu estava falando de algo inatingível ou verdadeiramente utópico. Sendo ainda, que o próprio Cristo viveu entre nós e provou ser possível viver debaixo da graça e vontade de Deus.

    Não espero nada do povo que se diz cristão.

    Afinal em mais de 2000 anos a única lição que nos foi pedida, ainda não foi compreendida:
    “Amai a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo.”

    Acredito que o povo que se entitula “Povo de Deus”, não necessitaria mais de leis, julgamentos ou governos, pois ao fazer cumprir e viver verdadeiramente o exercício entregue por Jesus, no mínimo tería-se respeito um pelo outro.

    É aquela história, o ser humano não é perfeito, tem vários defeitos, nasceu debaixo do pecado mas, CARAMBA! Será que não dá para aprender um pouco???

    Não consegue amar teu próximo, tudo bem, ao menos o respeite!

    Ouço a rádio Eldorado FM e, ontem fiquei muito chateada ao ouvir o debate que eles propuseram sobre ser contra ou a favor da Lei que penaliza a discriminação aos homossexuais. A vinheta era apresentada sempre da mesma maneira: Os evangélicos estão se mobilizando contra a lei – novamente: CARAMBA! É preciso fazer um gráfico para aprender?

    Afinal, se o julgar é de Deus e nossa parte é a mais fácil e gostosa, que é AMAR a teu próximo, por que esse “povo de Deus” insiste em querer fazer o trabalho do Homem lá de cima?

    Façamos a nossa tarefa e da melhor forma possível. Se fizermos SÓ isso, teremos feito muito.

    Na verdade não deveria existir nenhuma lei que protegesse comunidades ou pessoas contra a discriminação, o AMOR e o RESPEITO deveriam ser algo natural.

    No caso dos homossexuais, Deus jamais pediu para amarmos o pecado, mas sim o pecador. Se ao seus olhos teu irmão peca, não é perseguindo-o, linchando ou repudiando que estará ajudando ou fazendo a vontade de Deus. É AMANDO.

    Acho que estamos passando da hora de aprender.

    Levi, parabéns pelo blog, continue na luta e, por favor, faça esse povo acordar.

    Abs.

  4. ontem estava assistindo na MTV um debate sobre MST, nao vou entrar no merito do debate , mas apenas o que foi dito, o MST no inicio era uma luta justissima, porem com o passar dos tempos se tornou algo com outras finalidades, isto nao é jugamento ,sao fatos, o que precisa é ter o outro lado da moeda para sinalizar ” olhha o que voces estao fazendo nao é legal”,
    quero dizer , isso ocorre em todos os segmentos,
    se deixarmos a coisa sem regras , vira uma bagunça, e creio que Deus tem levantado homens para que isso nao ocorra,
    esse mês estou lendo sobre os judeus sefaraditas , da qual sou descendente, e como a irma debora relatou , parece que voltamos aqueles tempos, mas como descrito acima , creio muiito em Deus e em sua palavra, em sua promessa ” nunca nos deixara sós”

    parabens Levi por suas colocações , sempre tenho lido seu blog

    abraços

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