ALERTA: Para ler antes de “ir à igreja” neste final de semana.

 

Estou ouvindo Guilherme Kerr e João Alexandre em sua profética “Falso Véu”.

Certamente desconhecida dessa galera que engole tudo pelos ouvidos.

Penso que estamos em um critico momento da história da igreja evangélica brasileira e clamo ao Senhor para saber como devo me comportar. Parafraseando Nietzsche, como lutar com o dragão sem me transformar em um?

Estou em crise com o que vejo e ouço. Devo me calar? A linha tênue entre a voz profética e o grito de dono da verdade está diante de mim o dia todo.

Se eu não tivesse muitos outros e melhores com o mesmo asco eu certamente concluiria que estou errado.

Mas em meio a tanto retrocesso eu noto que existem novos falsos véus, uma proliferação pandemica de neosantarrões.

Quero me aquietar e ouvir como um alerta para a minha alma.

 

Leio e ouço pensando em meus véus.

“Quem é que pode te garantir

Que este teu jeito de servir a Deus

Seja o melhor, seja o meis leal

Um padrão acima do normal

 

De onde vem tanta presunção

De ser mais santo de ser capaz

De agradecer a Deus, crente nota dez

Superior acima dos fiéis

 

Pobre este entendimento que não vem do céu

Fraco discernimento: frágil, falso véu

Tenta encobrir em vão teu lado animal

Luta, perseguição, tanto desejo mau

Confusão, divisão.

 

Se alguém quer mesmo agradar a Deus

Saber das coisas, compreender

Mostre em mansidão de seu caminhar

Ser gentil no gesto e no olhar

E a diferença que existe em nós

Poeira vinda do mesmo chão

É somente o amor que nos alcançou

Graça imensa, imenso perdão.

É somente o amor que nos alcançou

Graça imensa e imenso favor.

 

Bom “culto”!

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Breves considerações sobre a declaração de Manuel Zelaya à revista BRASIL DE FATO

“Os hondurenhos têm o direito de pegar em armas”

Manuel Zelaya

 

Por ocasião da Guerra do Iraque, o Pastor Ricardo Gondim escreveu sobre um programa do Larry King onde Max Lucado, John McArthur e Bob Jones tentavam dar “justificativas cristãs” e “bases bíblicas” para as ações do irmão Bush e os ataques ao Iraque pelos Estados Unidos, o “Israel de Deus” da modernidade.

Gondim foi sistemática e terrivelmente atacado pelos nossos irmãos que defendiam aquele tipo de “pegar em armas” e que agora apóiam o governo golpista de Honduras que, por sua vez, tem usado armas para se manter.

Oro entristecido pelos hondurenhos e por Zelaya que não conseguiram impedir que tal estado de coisas se estabelecesse entre eles enquanto nação e espero que em tempo breve eles possam restabelecer o “menos ruim’ sistema político que inventamos até agora.

Sou seguidor de Jesus de Nazaré antes de qualquer outra coisa e se tiver que abandonar qualquer outra coisa, seja ela ideológica ou religiosa, o farei sem pestanejar se a tal coisa entrar em confronto direto com os princípios do Reino de Deus e a sua Justiça. Sempre estive pronto, para que se fosse o caso, como o apóstolo Paulo, considerar como excremento qualquer outra coisa que se oponha aos princípios do Reino.

Chegou o momento de começar a questionar todo aquele que relativiza o Evangelho de Jesus Cristo e quebram ou dão nova roupagem ao Sermão da Montanha que é a nossa Constituição e a Regra de Ouro que é a nossa clausula pétrea.

A nossa Justiça é outra, não há precedentes entre qualquer ideal progressista humano por mais bem intencionada e justa que essa proposta possa ser.

Se os hondurenhos devem pegar em armas eu realmente acho que isso é assunto dos hondurenhos, mas nós, que seguimos o Mestre Jesus temos a obrigação de desestimular essa ação ou qualquer outra similar sob o risco de estarmos colocando as coisas humanas acima do Deus das coisas e dos humanos e defendendo uma justiça da terra em detrimento da justiça do Senhor de toda a terra e aqueles que nela habitam.  

Era só o que faltava… nós darmos uma de Max Lucado e os demais irmãos da America que apoiaram a guerra do Iraque e o Golpe de Honduras.

Sim, nós seremos iguais a eles se apoiarmos e estimularmos a convocação de Manuel Zelaya sobre o direito que o povo hondurenho tem de pegar em armas.

Eles até podem ter o direito de pegar em armas, mas nós temos o dever de ser contra esse direito.

Conferências e encontros MAX que proféticos.

Conferências MAX que Proféticas.

Perguntaram-me porque eu não fui ouvir Max Lucado em sua recente vinda ao Brasil…….

Fiquei na minha porque ele estava ladeado de grandes profetas brasileiros, boa parte da trupe santíssima do Brasil e que andam afirmando por aí que Philip Yancey é satanista e coisa e tal. Ai daquele que cair vivo nas mãos – e bocas – dessa gente do fogo.

Na primeira pergunta eu desconversei, na segunda mudei de assunto, mas na terceira eu não resisti.

Bem, leiam o texto abaixo, pois lembro-me muito bem daquela noite e como nós, horrorizados e enojados, assistíamos ao Larry King na CNN.

Será que o MAX se arrependeu? Em caso positivo eu gostaria de saber………..

É sempre bom saber quando alguém se arrepende.

Quando o Iraque foi Invadido o Ricardo Gondim escreveu o texto abaixo.

Ontem assisti o Larry King Live na CNN. Demorei a conciliar o sono depois do que vi e ouvi. Revirando-me na minha cama, procurei uma palavra para expressar o que sentia. Revolta? Tristeza? Decepção? O melhor vocábulo que explicava minha insónia: uma náusea existencial. Explico.
Larry King conduziu um debate com alguns líderes cristãos americanos sobre a invasão americana no Iraque. Falaram contra a guerra um bispo metodista e um padre católico. Estes participaram pouco e mal conseguiram colocar os seus pontos de vista. Os evangélicos Max Lucado, John McArthur e Bob Jones dominaram a maior parte do tempo. E foram eles que me provocaram tamanha reacção!
Revoltei-me ao ver que o nacionalismo dos evangélicos americanos é muito mais forte que sua lealdade ao espírito do Evangelho. Eles não tiveram escrúpulos em citar a Bíblia para defender a política da direita republicana. Agiram com a mesma cegueira que os religiosos contemporâneos de Jesus que não conseguiam perceber o amor de Deus em Jesus Cristo, por serem mais judeus que humanos. Sob o pretexto de defenderem o seu território, os falcões militares que aconselham Bush, encontraram no ataque de 11 de Setembro o pretexto que precisavam para dominar o volátil Médio Oriente, de onde jorra o melhor e mais abundante petróleo do mundo. Os Americanos estão conscientes que são a única superpotência do planeta e querem levar essa realidade a vias de facto.
Revoltei-me com o semblante pétreo do John McArthur. Nos seus argumentos pró-guerra, referiu-se ao inferno que aguarda os muçulmanos sem demonstrar compaixão. Esse senhor fundamentalista, inimigo dos pentecostais, dos liberais e de todos os que não lêem a Bíblia com o seu literalismo, causou-me muito medo. Nele eu vi o Osama Bin Laden! Pronto a condenar ao inferno quem não segue sua teologia sistemática, asfixiante e retrógrada. McArthur falou do sofrimento eterno sem tremer um só músculo do rosto. Imaginei como deveria ser o semblante daqueles que queriam apedrejar a mulher adúltera.
Revoltei-me com o rosto cínico do Bob Jones. Ele mantinha um sorriso plástico; querendo parecer simpático. Falava com ódio e ria ao mesmo tempo. Parecia aquele palhaço do filme do Batman, carregando sempre um sorriso estático. Legitimou a guerra com o argumento de que as autoridades foram constituídas por Deus para promover o bem e punir os maus. Imediatamente recordei que a ditadura militar brasileira aprendia a torturar em escolas de treinamento da CIA. Meu pai sofreu tortura, minha família se desestruturou, uma irmã minha morreu e ainda hoje padecemos consequências da malignidade patrocinada pelo Departamento de Estado Americano. O meu pai era um homem honesto, extremamente trabalhador. Porque sofreu prisão e tortura? O seu crime era ser simpatizante do marxismo. Na época, o marxismo representava uma ameaça. Acredito que o Bob Jones legitimaria que chutassem os órgãos genitais de meu pai para que o “american way of life” continuasse intacto. O sorriso cínico do senhor Jones me lembrou a elite religiosa que apedrejou Estêvão. Eles não permitiriam que o amor compassivo de Cristo permeasse a cultura religiosa dos seus dias.
Revoltei-me com o Max Lucado, um pusilânime. Sua falta de argumentos e raciocínios simplistas mostram o perigo do dinheiro e da fama. Lucado é um dos autores de maior renome no mundo cristão, querido na América por escrever com um estilo simples. Quando defendeu a guerra mostrou que jamais se posicionaria contra a comunidade evangélica que votou em Bush e, fascinada, acredita que ele é o ungido de Deus para proteger o mundo. Max Lucado afirmou ontem, para o mundo inteiro ouvir, que confia no presidente porque ele é cristão e porque ora para tomar decisões. Quanto simplismo! Se assim fosse, quando Ronald Reagan patrocinou bandidos que lutavam na Nicarágua (os Contras), seria também legitimado pelo senhor Lucado. O general Oliver North, assessor que financiava os terroristas, era membro de uma igreja pentecostal, orava e conversava com o seu presidente antes de qualquer decisão.
Revoltei-me quando assisti à CNN porque percebi que aqueles líderes não destoaram. Eram porta-vozes da nação evangélica que considera os fetos abortados na América mais preciosos do que as crianças que morrem nas ruas de Gaza ou nos hospitais mal cuidados da África. Os inocentes que morrerão quando uns desses mísseis inteligentíssimos errar o alvo não parecem ser tão importantes. A parábola do Samaritano cumpriu-se mais uma vez na noite de 11 de Março de 2003. No écran das televisões do mundo inteiro, os religiosos passaram mais uma vez ao largo dos que jazem semi-mortos nas estradas da História.
Quando Larry King encerrou o programa de entrevistas e debates, arrependi-me de um dia me haver sentado na mesma mesa que aqueles senhores – quando a Bíblia me admoesta a sequer saudá-los. Chorei por perceber que a profecia de Cristo se cumpriu – o amor de muitos esfriará. Mas não consegui aplacar minha revolta ao ler sob os nomes legendados daqueles senhores que as suas denominações religiosas continham algumas designações como “Grace”, “Love”, etc.
Brevemente o Iraque capitulará. Logo mais Saddam Hussein morrerá. O petróleo jorrará abundante para suprir o guloso mercado americano. Desfrutaremos uma certa normalidade. Contudo, eu nunca mais serei o mesmo. Jamais conseguirei chamar Reverendo a qualquer líder religioso da estirpe desses três senhores.

Sarau da COMUNA – II ( Os Jorges )

 

 

 

Ao entrar na Casa da Comuna em mais um Sarau, o abraço ao excelente Ellyenai inaugurou os meus muitos abraços aos artistas que lá estavam, em seguida, o Pastor Eli Maia, meu amigo também, me recebeu saudoso e alegre como sempre.

Enquanto isso eu me assentava e ouvia reverente um rapaz muito bom ao violão com chapéu de panamá bege cantando um samba do meu outro amigo Isaías, um poeta de alma sensibilíssima.

Os meus amigos são poucos, mas são ótimos.

Logo depois, o monstro sagrado Jorge Camargo encheu o coração de todos nós de graça, paz, bem e muita humanidade.

Jorge é irmão nascido em angustia e estava ao lado de Madame AP e suas duas novas e lindas filhas temporãs.

O homenageado da noite era o Jorge Redher que eu conheço, mas sou mais íntimo de suas músicas.

O Camargo escolheu uma música que ele fez com o Redher, imagine qual foi? Isso, Tomé, do antológico ERAM DOZE.

Relembre da Letra:  

O que fazer
Se o coraç
ão não consegue mais crer
No que sabe ser verdade?

O que fazer
Se a raz
ão não consegue entender
O porquê da tempestade?

Se eu não O vir
Nele tocar
E enxergar
O Seu peito ferido
Nas m
ãos e nos pés as marcas da cruz
De modo algum acreditarei

Dídimo, oh Dídimo
Meu querido Tomé
P
õe tua mão no Meu lado
N
ão duvides, Filho
Tenha fé

Dídimo, oh Dídimo
Meu querido Tomé
P
õe tua mão no Meu lado
N
ão duvides, Filho
Tenha fé

 

Um amigo me disse que não conseguia ter mais fé, tamanho eram o sofrimento e a frustração que a vida lhe impunha.

Eu prontamente disse que também senti a mesma coisa, e no momento que o Jorge começou a cantar o Tomé da Fé as águas turvas do mar revolto em meu coração chegaram aos olhos e eu chorei, chorei no Sarau.

Terminou fazendo uma introdução primorosa em homenagem a Michel Jackson tocando Black Or White e depois nos brindou com a sua Sol de Bagdá, confira a letra:

 

 

O velho sol amigo e bom
Que brilha aqui que nasce l
á
No horizonte de Washington
É o mesmo sol de Bagdá

A há Bagdá a há

A lua de Jerusalém
É bela como uma boneca
De porcelana, de cetim
Cruzando alegre o céus de Meca

De Meca

A chuva que alimenta o chão
Renovadora melodia
É a chuva sobre o Paquistão
É a chuva que cai sobre a Índia

A há a Índia a há

O vento que vem e não fica
Que m
ísseis nunca abaterão
É o vento livre em terras de África
Onde o inimigo é pr
óprio irmão

É o próprio irmão

Isso sem falar na Coréia e no Japão
Na Argentina, na Inglaterra, na B
ósnia, no Arjebaijão
Na Ge
órgia, no Timor, na Colômbia, na Venezuela
No Afeganist
ão

Isso sem falar na Coréia e no Japão
Na Argentina, na Inglaterra, na B
ósnia, no Arjebaijão
Na Ge
órgia, no Timor, na Colômbia, na Venezuela
No Afeganist
ão

O mesmo sol, a mesma lua
A mesma chuva, o mesmo vento
E n
ão vestimos mesma luva
E mesmo sentimento

O mesmo sol, a mesma lua
A mesma chuva, o mesmo vento
Por que n
ão termos mesma voz
E mesmo pensamento?

O mesmo sol, a mesma lua
A mesma chuva, o mesmo vento
E n
ão vestimos mesma luva
E mesmo sentimento

O mesmo sol, a mesma lua
A mesma chuva, o mesmo vento
Por que n
ão termos mesma voz
E mesmo pensamento?

O velho sol amigo e bom
Que brilha aqui que nasce l
á
No horizonte de Washington
É o mesmo sol de Bagdá

A há Bagdá a há Bagdá

 

 

Aplaudido, encerrou a sua apresentação e eu fiquei desejando que todos os evangélicos brasileiros estivessem ali. Eu sei, eu sei, impossível.

 

Termino repetindo a primeira e última estrofe em homenagem a Max Lucado e a todos os que o trouxeram ao Brasil:

 

O velho sol amigo e bom
Que brilha aqui que nasce l
á
No horizonte de
Washington
É o mesmo sol de Bagdá

Espero que o Max lembre-se bem disso antes de apoiar e dar base bíblica para novas guerras levantadas pelo pseudo Israel de Deus da atualidade.

SARAU DA COMUNA – 2009

Sarau da COMUNA – 2009 (parte I)

Por Levi Araújo

SARAU DA COMUNA - 2009C-CGERSON BORGES 

 

Em sábado frio e chuvoso eu entrei em minha casa, a Casa da Comuna.

Essa é a Comunidade de Jesus, a estalagem para onde os Sete Pastores, todos Samaritanos, me levaram após me socorrerem quando fui assaltado em minha caminhada.

Quem me assaltou, bateu e quase matou, bem, até hoje não sei ao certo quantos foram, somente um meliante foi reconhecido até agora, eu mesmo.

Sim, eu fui o meu mais terrível agressor.

Depois os Sacerdotes e Levitas passaram de largo, mas o chefe do bando que quase me matou fui eu mesmo. Isso eu tive sempre muito claro.

Olhe o que escrevi sobre essa COMUNIDADE de JESUS em Março de 2005.

 

COMUNIDADE DE JESUS

Por Levi Araújo

 

Eles foram até onde eu não sabia que estava.

 

Encontraram-me com meus aleijos, demônios, lepras, mortes, febres, paralisias, gagueiras, hidropisias, surdez e gagueiras.

 

Receberam-me!

 

Consolaram-me nos desertos das tentações

 

E me convidaram para as festas das transformações

 

Alimentaram-me com multiplicações

 

Entre meus momentos de subtrações.

 

Envolveram-se!

 

Almoçaram e jantaram comigo mesmo eu sendo

 

Um Mateus, um Zaqueu, um Nicodemos, um Gadareno, uma Samaritana,

 

Um Barrabás, um Caifás, um Judas, uma Madalena….

 

Incluíram-me!

 

Nas minhas tempestades, ensinaram-me dormindo…

 

Em meus pavores, dúvidas e desequilíbrios

 

fizeram-me andar sobre as águas.

 

Toda vez que afundei…, levantaram-me.

 

E diante de minhas desfigurações…, transfiguraram-se.

 

E voltei a desejar fazer cabanas!

 

Transcenderam-me!

 

Apontaram-me para lírios, viúvas, crianças,

 

Sementes, grãos, peixes, terra, árvores, ovelhas,

 

Pastores, dracmas, videiras, figueiras e corações.

 

Ensinaram-me!

 

Chamaram-me para fora de tanta coisa que nem sei…

 

Chamaram-me para fora para ser

 

Comunidade de Jesus!

 

Chamaram-me!

Estacionei o carro e segui na direção da Casa, a minha Casa.

Quando entrei eu pude abraçar amigos e amigas, os mesmos abraços, o mesmo carinho e o mesmo chamado para sermos Comunidade.

SARAU DA COMUNA - 2009C-CGERSON BORGES

A MINHA VERGONHA

“Você não vale nada, mas eu gosto de você”.

 

Vergonha dói.

Há momentos na vida em que nos sentimos envergonhados e por que não dizer, humilhados.

Lembro-me quando iniciava a minha adolescência que o tipo de corte de cabelo que a minha mãe me sugeria era o fim da picada ou tesourada. Na Verdade, o barbeiro só usava a máquina, era o famoso – e por mim odiado – corte réco.

Outra vergonha advinha do fato de eu carregar uma bíblia e os meus amigos da rua saberem que eu era crente. Vixe meu Jesus! Como era difícil.

Uma coisa que também me envergonhava era a mania que a minha mãe tinha de comprar as mesmas roupas para mim e o meu irmão. Ela gostava de nos ver arrumadinhos como gêmeos.

Quando adolescente, eu era magro e me sentia desengonçado, não gostava do meu cabelo, era muito liso, não gostava dos meus óculos, me sentia um Garibaldo quatro-olhos da Vila Sésamo, só que bem mais magro e cumpridão. Um horror!

Não desejo esgotar aqui todas as minhas vergonhas, até por que algumas delas dão vergonha mencionar.

Percebi que com o tempo, as nossas vergonhas amadurecem com a gente e hoje eu sei que até os sem vergonhas tem vergonha.

Na história bíblica de Adão e Eva, após eles comerem do fruto proibido os “olhos dos dois se abriram e perceberam que estavam nus..” e depois eles tentaram se cobrir com folhas e por fim Deus os cobriu com couro de animais.

Sentimos vergonha quando a nossa nudez é exposta.

Ver-se nu e correr o risco de que os outros nos vejam nus traz uma dor que nem os nus artísticos das revistas masculinas, femininas e gays conseguem evitar.

Há uma nudez que vai além do estar ou não pelado e é essa que dá vergonha, e essa que dói, e essa que precisa ser coberta.

É aquela nossa estética secreta que por vezes termina definindo a nossa ética e atos secretos ou não.

Ninguém gosta de passar vergonha e cada pessoa reage de uma maneira quando isso acontece. A reação de um envergonhado pode ser imprevisível.

Nós temos as nossas próprias coberturas de nudez que também podemos chamar de máscaras, é uma maneira que inventamos para aliviar a dor da vergonha e fazer de conta que não somos quem somos.

Eu odeio e me odeio quando estou exposto, por isso confeccionei a minha própria máscara. Não se iluda, pois você também tem a sua.

Entretanto, há momentos e circunstancias vexatórias que a vida nos proporciona que eu chamo de tempos de vergonha.

Esconder-se será a nossa inevitável solução, foi assim com Adão e Eva e assim será com todo mundo.

Os passos de Deus, dependendo da abordagem e visão que temos dele podem ser passos de um terrível dinossauro carnívoro pronto para nos estraçalhar ou suaves de uma bailarina prestes a fazer um espacate.

No caso do bichão assustador, o medo e o pavor nos dominarão por detrás da máscara, no caso do deus bailarino, o cinismo sorrirá por detrás da máscara.

A visão que tenho de Deus não tem nada a ver com essas mencionadas.

Deus não quer nos expor para nos enxovalhar, mas creio que ele trabalha com os nossos medos e vergonhas para o nosso bem, sempre para o nosso bem. E isso pode significar não agir diante dos gozadores que gargalham com a nossa exposição.

Só mesmo o Rei e Poeta Davi para expressar os nossos sentimentos em momentos parecidos, confira trechos do Salmo 35: “mas, quando tropecei, eles se reuniram alegres; sem que eu soubesse ajuntaram-se para me atacar. (…) caçoando do meu esconderijo (…) Não deixes que os meus inimigos traiçoeiros se divirtam a minha custa. (…) Com a boca escancarada, riem de mim e me acusam: ‘Nós vimos! Sabemos de tudo!’. (…) Não deixem que pensem: ‘Ah! Era isso que queríamos!’, nem me digam: ‘Acabamos com ele!’.”

Voltando ao Jardim, após tratar com amor e firmeza com os pelados do Éden, Deus faz algo lindo e emblemático, ele mesmo cobre os dois envergonhados.

Aprendo com isso que Deus definitivamente não quer que vivamos expostos.

Com isso Ele sinalizava para um novo vestir, um novo cobrir que a estrofe do hino de Leipzig retratou muito bem: “O sangue e a justiça de Cristo são meu adorno e minha roupa de gala”.

Nesse sentido, cobrir-se faz sentido, só que aqui é Deus quem se incumbe de preparar tudo para nos cobrir.

Trocar as nossas vestes pelas que Deus escolheu é uma dinâmica de muita percepção de nudez, vergonha e ocultação de nudez. E isso levará a vida toda.

Nós não queremos que as pessoas achem – mesmo que não seja verdade – que não valemos nada ou que descubram que nós mesmos nos sentimos um nada. Isso envergonha, expõem e machuca.

Eu acho que na música de uma personagem da novela global, a frase “Você não vale nada” tem o sentido de que você é “Você é sem vergonha”.

A personagem Norminha, muito bem interpretada pela atriz Dirá Paes, parece ter consciência de sua sem-vergonhice e nada faz para mudar isso, acho que até gosta, ela e o marido.

Penso que não precisamos chegar a tanto, mas entendo que devemos ter percepção de nossas vergonhas e sem-vergonhices se desejarmos reconciliações vitais, sobretudo conosco mesmos.

Essa auto-percepção nos fará lançar um olhar mais humano, misericordioso e solidário sobre os pudores humanos.

Luxos e LIXOS devolvidos.

 

Finalmente, em cena teatral, embora emblemática, flagraram o lixo que nos enviam.

O ministro Minc e os técnicos do IBAMA confirmaram a chegada de lixo inglês em três portos brasileiros.

Graças ao bom Pai, a internet, além dos lixos, traz luxos para aqueles que viveram quase sempre de lixo no ultimo século.

Dependendo das convicções, o luxo vira lixo e o luxo vira lixo.

Certamente que devemos cuidar para que moralismos não sejam considerados ferramentas empíricas.

Nem tudo o que vem de fora é lixo, mas há muito lixo em quase tudo o que vem de fora.

Platão não é brasileiro e está longe de ser lixo.

Agostinho não é brasileiro e está longe de ser lixo.

Kierkgaard não é brasileiro e está longe de ser lixo.

Nietzsche, Dostoievsk e Morin são tudo, menos lixo.

Há muito lixo brasileiro que nos identificam com bananas, nádegas, seios e outras práticas suculentas e tudo isso é exportado como cultura, exotismo e produto multiculturalista.

Mas, a lixarada que aqui foi flagrada com transmissão televisiva e as suas previsíveis edições vieram da Inglaterra.

O caro leitor poderia relacionar quantos lixos chegaram ao Brasil como luxos desde o século 19? Gostaria de ouvi-lo nesse quesito.

Ainda bem que esse lixo, apesar da cena, nós pegamos.

O que importa nessa minha breve reflexão não são exatamente o lixo e sim o tapete.

Pensem, somos tapetes de quais lixos?

Sim, uma nação livre não aceita ou tolera lixos.

Uma nação livre é feita de cidadãos livres e cidadãos livres não aceitam ser tapetes ou capachos de nada e ninguém.

Enquanto focamos nos lixinhos exportados dos anglo-saxônicos, o Ministro e o governo, pouco fazem para impedir o luxo – das riquezas da nossa Amazônia – que há décadas são importados pelos mesmos e outros lixeiros.

Sobre o lixo que chegou?

Sim, eu agradeço porque pelo menos esse não ficará aqui.

Sobre o luxo que partiu?

Sim, eu protesto porque pouco se fez para que a nossa riqueza não ficasse aqui.

Leitores estimados, eu entendo que saberemos se somos ou não tapetes se compreendermos minimamente o que há de lixo e luxo em nós e se aceitarmos ou não os lixos e luxos que a maioria das pessoas nos exportam.

E só assim – em minha opinião – começaremos a aprender o que realmente importa.

Comecemos devolvendo lixos e luxos que não são nossos.